domingo, 13 de junho de 2010

Literatura Brasiliense : Planalto

PLANALTO
( HORTA, Anderson Braga)




O mar é um grande pulso que lateja.


O planalto é um mar de vagas


imobilizadas na diástole,


e o pulso anula-se na tensão áspera da pele.




Gritos mineralizados. O tempo


lapida os cristais febdudis di silêncio.


E das fissuras mana (imperceptível)


uma saudade marinha.




Esmagado espanto vegetal. Pássaros


nadam entre as algas. Seres


estranhos


deslizam no fundo. Restos.




O homem, navegador crispado,


vem sulcar estas águas


coaguladas. Decifra na face


do planalto (memória


de mar petrificada)a


seu arcano, e semeia-lhe


arquipélagos.




Sobre as vagas imóveis


um vivo mar agita-se.




*Poema extraído do jornal o miraculoso abril/2010